domingo, 31 de janeiro de 2010

Porto Alegre, RS - série vida - parte III

Essa vai ser a parte complicada, a mais longa de todas, com direito a muitas emoções, festivais, natais, amigos, choros e risadas.
Saímos de Ilhéus em setembro/91, chegando em terras gaúchas em pleno inverno, bem rigoroso por sinal, que nos fez ir correndo comprar moletons, casacos, meias e luvas. O que nos deixou preocupados inicialmente, pensando se teriamos problemas com adaptação, saindo de uma temparatura média de 27°C para 11°C. Mas famílias nômades não tem frescura e acabam se moldando ao ambiente.
Tivemos três endereços diferentes na capital gaúcha, mas os três eram bem próximos um do outro e sempre circundando o belo parque da Redenção ou falando corretamente o Parque Farroupilha.
Não demorou muito começamos a frequentar a Igreja do SSMO Sacramento, primeiramente meu irmão (eu ainda não tinha idade) em seguida meus pais, que viraram tios (os tios aconselham os jovens, ou pelo menos tentam)e por último eu. Lá fizemos muitos amigos, muitos mesmo, o grupo era integrantes (ainda é) de um movimento de jovens cristãos católicos chamado EJC, um movimento nacional, muito fácil de se encontrar. (por ser uma parte muito grande, merece uma postagem apenas sobre ele, em breve)
Estudei meu segundo grau no IPA (Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista), colégio que fica na parte alta da cidade, muito tradicional, lá eu aprendi entre muitas coisas, a jogar futebol, era lateral esquerda e gostava muito do esporte. Logo após o término do segundo grau, tentei, passar sem estudar no vestibular da UFRGS para administração, digo que tentei porque é um vestibular muito concorrido e como eu nunca fui fã de estudar, não tinha como passar sem me aplicar.
Enquanto o tempo passava, fomos desbravando o sul do país, viajar de carro sempre foi uma terapia pra nossa família, então conhecemos a serra gaúcha (Gramado, Canela, Nova Petropolis, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa...etc) as praias também estiveram em nosso roteiro turistico, mas como sempre foram muito frias, preferimos ficar em viagens sempre pelo interior do estado. Foi lá também que por diversas vezes saimos do estado em direção a Santa Catarina para conhecer suas maravilhas também, Florianópolis tem praias lindas e a serra catarinense também tinha seus encantos, não me lembro muito bem dos nomes das cidades, tinha Brusque, Blumenau e mais uma outra...todas com suas particularidades e encantos.
Nossos olhos sempre se enchiam de cores.
Conhecemos também nosso país vizinho lá de baixo, o Uruguai, e lá, ficamos impressionados com a magnitude do Nosso Brasil. Gostamos do lugar, fomos até sua capital, Montevideu e nos maravilhamos quando pedimos, em um restaurante, um Milaneza para o almoço (um para cada um) e o filé cobria todo o prato...para carnívoros como eu, era o paraíso.
Voltando para Porto Alegre, lá fizemos amigos que temos até hoje, são parte da nossa família e temos certeza que fazemos parte das deles. Aprendemos como se faz um bom churrasco e a importância do chimarrão entre amigos, e até aprendi a gostar, queima a boca na primeira, na segunda, mas depois que faz calo não importa e fica gostoso.
Tivemos uma cafeteria, onde aprendemos a arte do bom café, coisa que na época não era tão divulgado, se eu quissesse poderia ser barista sem problemas, até hoje reclamo se não me servem um bom expresso. Tivemos também uma lanchonete bem no centro da cidade e não sabiamos, que no futuro próximo teriamos mais uma experiência no ramo.
Vimos que apesar do frio, o povo é acolhedor e caloroso, fizeram com que nos sentissemos amados e parte de lá. Foram oito anos muito bem vividos e que não queriamos que tivesse parado ali, muito tempo depois da nossa despedida de Porto Alegre, ainda guardamos em nosso coração o desejo de voltar, mas a vida nos mostrou que temos que seguir em frente e darmos graças a Deus por termos histórias boas para contar.
Como disse, sobre essa parte da vida, vou ter que me aprofundar com tópicos únicos.
Final de 1998 estamos indo de volta para o centro.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ilhéus, Bahia - série vida - parte II

Ao final de 1990, chegando em 1991, com as calças subindo em São Paulo, meu pai foi contemplado com uma promoção em seu emprego e fomos juntos desbravar terras baianas, mal sabiamos que aquela era a primeira de uma série de mudanças dentro do territorio brasileiro que estavamos prestes a fazer.
Ilhéus inicialmente foi o paraíso (no final também) foram nove meses inesqueciveis, e eu tinha apenas 10 anos de idade, nem fiz aniversário por lá. A cidade era muito pequena, ao contrário do que se via em São Paulo, não existiam arranha céus, os bairros ainda eram em sua maioria, compostos por casas. Me lembro que eram dois bairros principais divididos pela ponte sobre um rio imenso (como queria usar minhas cabeça sem apelar para o google, não vou citar o nome do rio!!!)nos morávamos na Sapetinga, numa rua arborizada e que ao final dela ficavam as margens deste rio.
Brincavamos pouco?? Era uma verdadeira alegria para a criançada, chegar correndo da escola, jogar a mochila na varanda e se reunir na rua, brincando até o sol se pôr...gente...o sol se despedia ali...quase no quintal de casa, mas a gente gostava mesmo de ir no Clube de Remo, andar muito de caiaque e brincar muito na piscina (que para mim era imensa e parecia ter uns dois metros de profundidade).
Não posso deixar de citar as praias lindas do lugar, a minha descoberta do vócabulo: cabular a aula, com direito a fugidas para a sorveteria no centro da cidade. Sim, eu matei aula na quinta série, pela primeira vez, fato digno de ser anotado na agenda diário. Quem conhece a cidade ou vai conhecer não pode deixar de ir no bar/restaurante Vesuvio e comer um Kibe, foi o melhor kibe que eu já comi até hoje, inclusive este bar é cenário de um dos clássicos da nossa literatura escrito por Jorge Amado (Gabriela, cravo e canela)e parece que andando pela cidade você vê a história toda do livro.
Tem o chocolate caseiro de Ilhéus, também muito tradicional, mesmo porque a cidade fica na costa cacaueira, dividiram a Bahia em costas (não vou explicar porque não é aula de geografia), alguns tem nomes muito interessantes, motivo de muitas piadinhas nos corredores do aeroporto da cidade.
Minha vida foi marcada rapidamente por este lugar, tinhamos acabado de chegar e já era hora de sair e eis que minhas calças curtas estavam virando um bermudão...só que já não iria mais servir para a próxima etapa da minha vida, o inverno estava chegando e o sul chamando.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O poder da barata...

Já vi muito tipo de bicho, mas o que me causa mais asco, sem sombra de dúvidas é a dona barata. Sou medrosa com praticamente todo tipo de inseto, me assusto facilmente com estes seres voadores e rastejantes, mas somente a barata me paralisa.
Ontem a noite, nos rituais noturnos, pré-cama, estava eu tranquilamente no banheiro, quando escuto um barulhinho meio parecido com o som que as unhas do cachorro fazem quando raspam o chão, só que em tom muito menor, o que era quase imperceptivel, na hora eu gelei, sozinha no banheiro, porta fechada, calça arriada...olhei para o teto, para o chão, pia e quando coloquei os olhos no último ponto a investigar, justamente a porta, lá estava ela - a dona barata.
Incrível como nos primeiros segundos fiquei estática, não consegui mover um músculo do meu corpo para evitar que ela se movesse e viesse em minha direção...a cabeça começou a girar forte pensando em como sair da situação...
Vocês devem estar rindo, pensando...PEGA LOGO O CHINELO E MATA ESSA CUCARACHA...não meus amigos, não é tão simples!
Realmente essa ideia da chinelada veio na cabeça, mas junto com ela o medo de errar e sentir aquele ser nojento em cima de mim, essa ideia apavora. Então, para me livrar da situação, comecei a entoar um mantra: 'NÃO SE MEXA BARATA, NÃO SE MEXA BARATA, NÃO SE MEXA BARATA" enquanto rezava, subia as calças e agora?? Dou descarga?? E se a barata voar?? Não, não dou descarga... Continuei com o mantra, enquanto abria muito vagarosamente a porta, até o ponto em que fosse possivel passar e a poderosa continuar no mesmo lugar, isso sem deixar de entoar o mantra...
Ufa...consegui sair do banheiro, atravessei o corredor correndo e tratei de fechar logo a porta do quarto e me jogar na cama esperando que a barata não resolvesse fazer uma visita até minha cama.
E acreditem, foi dificil pegar no sono.
Agora eu pergunto, de onde vem todo este medo ou nojo destes seres, é algo cientifico ou algo que herdamos de nossos antepassados, ou é frescura mesmo??

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

São Paulo - série vida - parte I

Nasci em 1980, bairro da Mooca, São Paulo capital. Cheguei no horário do chá, em plena sexta-feira, dia das bruxas e desde então, nunca vi chover no dia em que eu nasci, nos lugares por onde andei.
Tive uma infância comum, brincava na rua onde morava com meus amiguinhos, da mesma idade que eu, no bairro Pirituba...naquela época, podiamos brincar a vontade, sem os medos de hoje...foi uma infância muito feliz.
Nunca fui aluna nota 10,00 sempre ocilei entre o 7,00 e o 9,00 tirava 10,00 só em artes e educação fisica. Sempre dei trabalho para os meus pais, sou muito elétrica então não era comum me ver na frente da televisão ou fazendo uma coisa só...sempre fazia muitas coisas ao mesmo tempo.
O meu universo era o Colégio São João Gualberto, no mesmo bairro onde eu morava, o Condominio Residencial Vista Verde, a rua 14, suas casas e a vista para o Pico do Jaraguá, lugar onde por algumas vezes iamos passear...sim não posso me esquecer da família toda espalhada pela cidade...então incluem-se aqui Arujá, com sua passagem pela Via Dutra, Santo Amaro onde sempre passavamos pela Marginal do Rio Pinheiros, Itaquera...salve o Timão e a Vila Matilde. É acho que são os lugares comuns da minha infância, São Paulo é muito grande para uma criança.
O tempo foi passando e quando a calça estava ficando curta, saimos da cidade rumo a novas aventuras...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como ??

Bom, eis minha terceira tentativa de emplacar um diário ou quase via internet...duas tentativas anteriores foram frustradas pelo simples fato de não conseguir manter a linha proposta...resolvi me libertar das amarras, vamos ver no que dá.
Daqui pra frente tudo vai ser diferente...se vai ser só para mim ou se outras pessoas vão se interessar o tempo dirá, aos poucos vou relatar casos corriqueiros, ideias próprias e o que vier a minha cabeça.