Essa vai ser a parte complicada, a mais longa de todas, com direito a muitas emoções, festivais, natais, amigos, choros e risadas.
Saímos de Ilhéus em setembro/91, chegando em terras gaúchas em pleno inverno, bem rigoroso por sinal, que nos fez ir correndo comprar moletons, casacos, meias e luvas. O que nos deixou preocupados inicialmente, pensando se teriamos problemas com adaptação, saindo de uma temparatura média de 27°C para 11°C. Mas famílias nômades não tem frescura e acabam se moldando ao ambiente.
Tivemos três endereços diferentes na capital gaúcha, mas os três eram bem próximos um do outro e sempre circundando o belo parque da Redenção ou falando corretamente o Parque Farroupilha.
Não demorou muito começamos a frequentar a Igreja do SSMO Sacramento, primeiramente meu irmão (eu ainda não tinha idade) em seguida meus pais, que viraram tios (os tios aconselham os jovens, ou pelo menos tentam)e por último eu. Lá fizemos muitos amigos, muitos mesmo, o grupo era integrantes (ainda é) de um movimento de jovens cristãos católicos chamado EJC, um movimento nacional, muito fácil de se encontrar. (por ser uma parte muito grande, merece uma postagem apenas sobre ele, em breve)
Estudei meu segundo grau no IPA (Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista), colégio que fica na parte alta da cidade, muito tradicional, lá eu aprendi entre muitas coisas, a jogar futebol, era lateral esquerda e gostava muito do esporte. Logo após o término do segundo grau, tentei, passar sem estudar no vestibular da UFRGS para administração, digo que tentei porque é um vestibular muito concorrido e como eu nunca fui fã de estudar, não tinha como passar sem me aplicar.
Enquanto o tempo passava, fomos desbravando o sul do país, viajar de carro sempre foi uma terapia pra nossa família, então conhecemos a serra gaúcha (Gramado, Canela, Nova Petropolis, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa...etc) as praias também estiveram em nosso roteiro turistico, mas como sempre foram muito frias, preferimos ficar em viagens sempre pelo interior do estado. Foi lá também que por diversas vezes saimos do estado em direção a Santa Catarina para conhecer suas maravilhas também, Florianópolis tem praias lindas e a serra catarinense também tinha seus encantos, não me lembro muito bem dos nomes das cidades, tinha Brusque, Blumenau e mais uma outra...todas com suas particularidades e encantos.
Nossos olhos sempre se enchiam de cores.
Conhecemos também nosso país vizinho lá de baixo, o Uruguai, e lá, ficamos impressionados com a magnitude do Nosso Brasil. Gostamos do lugar, fomos até sua capital, Montevideu e nos maravilhamos quando pedimos, em um restaurante, um Milaneza para o almoço (um para cada um) e o filé cobria todo o prato...para carnívoros como eu, era o paraíso.
Voltando para Porto Alegre, lá fizemos amigos que temos até hoje, são parte da nossa família e temos certeza que fazemos parte das deles. Aprendemos como se faz um bom churrasco e a importância do chimarrão entre amigos, e até aprendi a gostar, queima a boca na primeira, na segunda, mas depois que faz calo não importa e fica gostoso.
Tivemos uma cafeteria, onde aprendemos a arte do bom café, coisa que na época não era tão divulgado, se eu quissesse poderia ser barista sem problemas, até hoje reclamo se não me servem um bom expresso. Tivemos também uma lanchonete bem no centro da cidade e não sabiamos, que no futuro próximo teriamos mais uma experiência no ramo.
Vimos que apesar do frio, o povo é acolhedor e caloroso, fizeram com que nos sentissemos amados e parte de lá. Foram oito anos muito bem vividos e que não queriamos que tivesse parado ali, muito tempo depois da nossa despedida de Porto Alegre, ainda guardamos em nosso coração o desejo de voltar, mas a vida nos mostrou que temos que seguir em frente e darmos graças a Deus por termos histórias boas para contar.
Como disse, sobre essa parte da vida, vou ter que me aprofundar com tópicos únicos.
Final de 1998 estamos indo de volta para o centro.
Quem quer matar a Conceição Oliveira?.
Há 11 anos